STF, Banco Master e a rede que se protege — três ministros do mesmo colegiado, três mecanismos distintos, um único núcleo de fatos. Documentado com taxonomia evidencial separada: o que é fato confirmado não depende do que ainda está contestado.
O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em 18/11/2025, com rombo estimado em R$ 41 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos. Nos meses seguintes, três ministros do Supremo Tribunal Federal apareceram no mesmo núcleo de fatos, por mecanismos diferentes: Alexandre de Moraes (vínculo financeiro familiar direto com o banco, contatos com o Banco Central, presença contestada na órbita social do controlador), Dias Toffoli (relator das investigações penais até se declarar suspeito, com empresa familiar ligada a fundo do entorno do banco) e Gilmar Mendes (autor da decisão que suspendeu o acesso de uma CPI aos dados financeiros dessa mesma empresa familiar).
O argumento estrutural deste cluster não depende de nenhum item contestado ser verdadeiro. Mesmo isolando apenas os fatos ev-confirmed, a rede de proximidade financeira, decisória e protetiva dentro do mesmo colegiado já é documentável.
Malu Gaspar (O Globo) revela contrato de 2024 entre Barci de Moraes Advogados — esposa e dois filhos do ministro como sócios — e o Banco Master: R$ 3,5–3,6 mi/mês, 36 meses, R$ 129 milhões no total, cobrindo causas junto a BC, Receita Federal, PGFN, CADE e Congresso. Pagamentos cessados com a liquidação. Escritório confirmou o contrato em nota; negou atuação no STF.
Com base em quatro testemunhas, reportagem relata duas visitas de Moraes à mansão de Vorcaro em Brasília, incluindo apresentação ao então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, no 1º semestre de 2025 — período em que o Master buscava socorro via venda ao BRB. Moraes classifica a reportagem como "falsa e mentirosa" em nota oficial do STF.
O Globo (22/12) relata 4 contatos com o presidente do BC; Estadão (23/12) eleva para 6 ligações em um dia. Moraes emite três notas no mesmo dia — as duas primeiras vagas, a terceira (já após o dado do Estadão) nega categoricamente qualquer ligação telefônica e restringe tudo a 2 encontros presenciais sobre a Lei Magnitsky. Nota contém erro factual na data da sanção. Motivou pedido de impeachment no Congresso.
Registros de operadora que confirmem ou refutem as ligações não foram tornados públicos. A causa da divergência entre as notas 1–2 (vagas) e a nota 3 (negativa específica) não foi explicada.
A especificidade da negativa cresce na mesma proporção da especificidade da acusação — e só depois dela, nunca antes.
Dados extraídos do celular de Vorcaro mostram troca de mensagens (7h19–20h48) no dia da prisão, com Vorcaro relatando a venda do banco e perguntando sobre o inquérito sigiloso. Ambos usavam visualização única do WhatsApp; Vorcaro manteve rascunhos salvos, permitindo reconstrução pericial. Moraes nega ter recebido as mensagens ("ilação mentirosa").
Toffoli declara suspeição por "razões de foro íntimo" um dia depois de a PF enviar a Fachin relatório mencionando-o no caso Master. André Mendonça é sorteado novo relator. Toffoli permanece na 2ª Turma que vota medidas cautelares do mesmo caso.
Gilmar suspende liminarmente a quebra de sigilo da Maridt (empresa da família Toffoli, sócia do Resort Tayayá/PR, ligado a fundo administrado pela Reag — mesmo grupo citado na Operação Carbono Oculto e no entorno de Vorcaro). Toffoli reconhece a sociedade, nega recebimento direto do banqueiro. Analistas apontam ao menos oito falhas processuais na decisão de Gilmar.
"Blindagem" é caracterização da imprensa especializada, não fato do corpus — o fato confirmado é a suspensão liminar do sigilo de empresa da família de um colega, por decisão fundamentada em prevenção descrita externamente como processualmente falha.
Moraes autoriza busca e apreensão contra Raimundo Cutrim, apontado pela PF como fonte do jornalista Luís Pablo em reportagens sobre uso de veículo oficial por família do ministro Flávio Dino. Medida a pedido da PF, parecer favorável da PGR. ANJ, ABERT, ANER, FENAJ e Sindjor-MA emitem notas de repúdio citando o Art. 5º, XIV da Constituição.
O corpus já documentava isoladamente o contrato Master–Viviane (T-192/id_192), a manutenção de prisão de familiares de Vorcaro pela 2ª Turma (T-215) e a assimetria indenizatória em T-250. Esta síntese conecta os fatos ev-confirmed — o contrato existe; Toffoli só se declara suspeito depois de citado pela PF; Gilmar suspende o acesso da CPI aos dados financeiros da empresa da família de um colega — aos fatos ev-contested sem colapsar a distinção evidencial. Nenhuma negativa formal de Moraes foi corroborada ou refutada por perícia independente até esta data.
O padrão estrutural (P02 + P05 + P07) não depende da resolução dos itens contestados. Um ministro cuja família recebe R$ 3,6 milhões/mês de um banco, um colega que só se declara suspeito depois de citado oficialmente, e um terceiro colega que suspende o acesso de uma CPI aos dados financeiros da empresa familiar desse segundo colega — juntos, formam uma rede de proteção mútua documentável sem qualquer inferência sobre intenção.
Taxonomia evidencial aplicada item a item, nunca colapsada: ev-confirmed exige documento primário, decisão pública ou nota oficial confirmando o fato em si. ev-contested é reportagem consistente e corroborada, mas com negativa formal da parte envolvida. ev-inference aparece só no campo de análise, nunca no resumo factual. Mínimo de 2 fontes independentes para eventos com menos de 90 dias — aplicado em todas as 8 entradas.
Registros de operadora sobre as ligações Moraes–Galípolo não são públicos. Perícia independente sobre titularidade do número nas mensagens do dia da prisão não foi divulgada. Não há decisão de plenário do STF revisando a liminar de Gilmar Mendes sobre a Maridt. O beneficiário final da estrutura de extração do Banco Master — além do rombo de R$ 41 bilhões ao FGC — segue não identificado.