Setembro de 2015
Declaração
"A Lava-Jato estragou tudo" — O Plano Perfeito do PT
Em evento na FIESP, ao lado de Paulo Skaf (PMDB), afirmou que o PT tinha "um plano perfeito para se eternizar no poder", interrompido apenas pela Operação Lava-Jato. Declaração explicitamente partidária feita por um ministro em exercício.
Outubro de 2016
Declaração
Bolsa Família como "compra de votos institucionalizada"
Em seminário da Amcham-Brasil, atacou programa social federal, classificando-o como estratégia de "fidelização" eleitoral para "eternização no poder" — declaração com evidente conteúdo oposicionista.
Novembro de 2016
Declaração
Cassação de Dilma é "bizarro" e "não passa no jardim de infância"
Durante julgamento do STF, classificou a decisão do Senado que cassou a presidente mas manteve seus direitos políticos como algo "no mínimo bizarro" — misturando análise jurídica com julgamento político público.
Novembro de 2016
Declaração
"AI-5 do Judiciário" — atacou decisão do colega Fux
Ao comentar decisão de Luiz Fux sobre o pacote anticorrupção, afirmou: "Isso aí é um AI-5 do Judiciário. Nós estamos fazendo o que os militares não tiveram condições de fazer." Associação com ditadura feita publicamente contra um colega.
Setembro de 2025
Redes Sociais
Resposta direta ao bolsonarismo no 7 de Setembro
Publicou manifestação explícita contra protestos bolsonaristas, citando políticas do governo Bolsonaro como autoritárias e declarando-se contra projetos de anistia — posicionamento político direto via redes sociais.
Fevereiro de 2025
Entrevista
"Denúncia contra Bolsonaro é mais grave que o Mensalão"
Antes do início do julgamento, comentou publicamente para jornalistas que a denúncia era "muito mais grave" que o Mensalão, avaliando o mérito do caso — conduta vedada a magistrados sobre processos em curso.
Agosto de 2017
Suspeição
Caso Jacob Barata Filho — Padrinho de casamento julgando o réu
O PGR Rodrigo Janot pediu formalmente o impedimento de Gilmar nos processos de Barata Filho. O ministro era padrinho do casamento entre a filha do empresário e seu próprio sobrinho. Mesmo assim, revogou por duas vezes as prisões do empresário preso pela Lava-Jato.
Agosto de 2017
Conflito de Interesse
Esposa advogava para o mesmo empresário que ele libertou
Guiomar Mendes, esposa do ministro, trabalhava em escritório de advocacia que defendia Jacob Barata Filho — o mesmo cujas prisões foram revogadas por Gilmar Mendes em decisões que geraram reação nacional.
Setembro de 2010
Interferência Política
Ligação de José Serra pedindo adiamento de votação
Reportagem da Folha de S.Paulo presenciou ligação do candidato presidencial José Serra (PSDB) para Gilmar Mendes pedindo adiamento de votação sobre obrigatoriedade de documentos para votar — interferência direta do campo político na pauta do STF.
Março de 2012
Nepotismo
Enteada nomeada assessora de senador processado no STF
A Folha revelou que a enteada de Gilmar Mendes era assessora do senador Demóstenes Torres — que estava sendo investigado no STF. Especialistas apontaram possível violação da súmula antinepotismo da própria corte.
Março de 2026
Intervenção Institucional
Blindagem de Toffoli — Suspensão de quebra de sigilo via processo arquivado
Reativou processo arquivado há anos para bloquear quebra de sigilo da empresa do colega Toffoli. Não encaminhou ao relator natural do caso (André Mendonça). Ordenou destruição de dados já enviados pelo Banco Central e COAF — classificado por juristas como "tensionamento institucional" e "corporativismo".
Junho de 2017
Evento Político
Articulador da absolvição da chapa Dilma/Temer no TSE
Presidiu julgamento no TSE em junho de 2017 que absolveu a chapa Dilma/Temer de acusações de abuso de poder econômico — em momento politicamente crítico para o governo Michel Temer, cuja permanência no poder dependia do resultado.
Setembro de 2015
Decisão Política
Obstrução ao financiamento empresarial — "Pedido de vistas" por 1 ano e meio
Em ADI sobre financiamento eleitoral corporativo, pediu vistas ao processo e travou a votação por quase 18 meses. Quando votou, foi contra a proibição das doações empresariais, defendendo que "partidos de oposição não teriam chance sem apoio de empresas".
Novembro de 2016
Decisão Política
Classificou a Ficha Limpa de "barbárie" e comparou ao nazifascismo
No julgamento da Ficha Limpa, chamou a lei de iniciativa popular de "sandice e desatino", afirmando que "o povo não é soberano nas democracias constitucionais" e comparando a legislação ao nazifascismo.
Dezembro de 2025
Autopreservação
Suspensão da Lei de Impeachment dos ministros do STF
Por decisão monocrática, suspendeu artigos da Lei de Impeachment de 1950, restringindo quem pode denunciar um ministro do STF e elevando o quórum necessário — em decisão que favorece diretamente os próprios ministros e que o Senado afirmou nunca ter causado problemas na prática.
Janeiro de 2023
Entrevista
Defesa de lei para limitar liberdade de reunião
Em entrevista ao Jornal da Globo, defendeu a criação de lei para restringir o direito constitucional de reunião a céu aberto, citando as manifestações do 7 de Setembro como "caldo de cultura" — posição politicamente alinhada ao governo vigente.
Dezembro de 2016
Declaração
Classificou decisão de Marco Aurélio como "indecente" e sugeriu impeachment de colega
Reagiu publicamente à decisão do colega Marco Aurélio Mello de afastar Renan Calheiros, chamando-a de "indecente" e chegando a sugerir o impeachment do próprio ministro — o que levou a Ajufesp a pedir que renunciasse e virasse "comentarista".
2018
Investigação Ambiental
MP do MT abre ação por uso ilegal de agrotóxicos em fazendas do ministro
O Ministério Público do Mato Grosso deflagrou duas ações contra Gilmar Mendes por plantio de transgênicos em área de preservação e uso abusivo de agrotóxicos em propriedades de 1.300 hectares registradas em nome do ministro e seus irmãos.
"O ministro instalou um estilo próprio, especialmente quanto ao viés político do cargo, posicionando-se sobre temas da agenda política do País, muitas vezes para criticar ações do Governo. Sua postura o expôs ao contraponto, obrigando o STF a suportar situações que não são muito próprias a órgãos do Poder Judiciário."
— Marcelo Roseno, presidente da Associação Cearense de Magistrados (ACM), 2010
2001 — Antes da Posse
Advocacia-Geral da União: Já declarava que "a Procuradoria tem autismo dos juízes" e atacava o MP Federal em guerra aberta, derrubando ações de improbidade contra o governo FHC.
2002 — Nomeação
Chegada Polêmica: Indicado por FHC enquanto ainda era advogado-geral da União, em exercício ativo de função política. Não escondia proximidade com o PSDB.
2008-2010 — Presidência do STF
Ativismo declarado: Durante dois anos como presidente, protagonizou o episódio Daniel Dantas e embates com Joaquim Barbosa. A associação Ajufesp criticou seu perfil como incompatível com a magistratura.
2010
Ligação de Serra: A Folha presencia o candidato presidencial José Serra telefonando para Gilmar pedindo adiamento de votação no STF — demonstrando acesso privilegiado ao ministro.
2011
Acusação por desfalque: Ex-sócio e ex-PGR Inocêncio Mártires Coelho o acusou de desfalque e sonegação fiscal.
2012
Nepotismo: Enteada revelada como assessora do senador Demóstenes Torres — investigado no próprio STF.
2015-2016
Pico de declarações políticas: Mais de 10 episódios documentados, incluindo ataques ao Bolsa Família, à Ficha Limpa, ao MPF, a colegas, e ao processo de cassação de Dilma.
2017
Caso Barata/Eike: Revogação das prisões de Barata Filho (cujo casamento ele padrinhou) e de Eike Batista geraram pedido formal de suspeição do PGR Janot. A esposa trabalhava no escritório que defendia Barata.
2016 — Setembro
Pedido de impeachment: O Senado recebeu pedidos formais de impeachment contra o ministro. Arquivados por Renan Calheiros — o mesmo que Gilmar havia defendido meses antes.
2018
Ação ambiental no MT: MP estadual deflagra duas ações por transgressões ambientais nas fazendas do ministro em Diamantino-MT (1.300 hectares em nome da família).
2022
Terras suspeitas: Revista Crusoé publica investigação sobre 507 hectares recebidos por Gilmar em 1999 via procedimentos questionáveis da Assembleia Legislativa do MT.
2025
Comentários pré-julgamento: Antes do julgamento de Bolsonaro, classificou publicamente a denúncia como "mais grave que o Mensalão" — antecipando posição em processo em andamento.
Dez. 2025
Lei de Impeachment: Por decisão monocrática, restringiu a possibilidade de impeachment de ministros do STF — favorecendo diretamente a si mesmo e aos colegas.
Mar. 2026
Blindagem de Toffoli: Bloqueou investigação sobre empresa ligada ao colega Toffoli, reativando processo arquivado e determinando destruição de dados bancários já recebidos — intervenção que juristas classificaram como "golpismo jurídico" e "corporativismo".
Padrão Identificado
Ao longo de 24 anos, Gilmar Mendes estabeleceu um padrão único no STF de proatividade político-midiática sem paralelo entre seus pares. Diferente de outros ministros — que mantêm discrição pública e falam "pelos autos" — Mendes transformou o cargo em plataforma de comentário político contínuo, atacando governos, partidos, colegas e instituições via entrevistas, seminários empresariais e redes sociais.
O que diz o ordenamento
A Constituição Federal (art. 95, parágrafo único) veda ao magistrado exercer atividade político-partidária. A LOMAN proíbe manifestações sobre processos em andamento e exige postura de imparcialidade. O próprio STF editou Código de Ética Judicial exigindo reserva, imparcialidade e vedação a contatos com partes. As condutas documentadas de Gilmar Mendes levantam questionamentos sobre o cumprimento sistemático dessas normas.
Conclusão do Relatório
Nenhum outro ministro do STF acumulou, em período equivalente, volume comparável de declarações políticas, pedidos de suspeição, aparições em eventos com agentes político-partidários e decisões que geraram acusações formais de conflito de interesse. A própria magistratura brasileira, pela voz de associações como a Ajufesp e da ACM, reconheceu publicamente que o padrão de Gilmar Mendes "não é próprio a órgãos do Poder Judiciário". Com 82+ episódios documentados em 24 anos — uma média de mais de 3 ao ano — o ministro representa um caso único de ativismo político-midiático crônico na história do Supremo Tribunal Federal brasileiro.