Nenhum outro capítulo reúne, simultaneamente: (1) uma estatal chinesa (China Nonferrous) no controle de uma mineradora que opera ao lado de terra indígena, (2) denúncia de contaminação por mercúrio corroborada por relatório da FUNAI, (3) um pagamento direto de R$12,3 milhões à associação comunitária firmado dois dias depois de a comunidade declarar desconfiança total na empresa, sem mediação do MPF, e (4) escalada institucional simultânea — FUNAI, MPF (inquérito civil) e Polícia Federal (investigação criminal) atuando ao mesmo tempo em julho de 2026. E tudo isso sobre um povo que já quase foi exterminado nos anos 1970 pelo mesmo tipo de projeto de infraestrutura estatal.
A mesma BYD que opera em Manaus sem controvérsia pública relevante enfrentou, em sua unidade de Camaçari (Bahia), denúncias de trabalho escravo resolvidas via acordo de R$40mi com o Ministério Público do Trabalho. O padrão de risco do capital chinês varia por unidade operacional — não deve ser generalizado sob um rótulo único de "captura chinesa".
Um governador em fim de mandato converte o ativo econômico-estratégico estadual — em Goiás, terras raras; no Amazonas, o modelo fiscal da Zona Franca que atraiu BYD, Deye e Megmeet — em plataforma pessoal para o próximo cargo eletivo. Mesmo mecanismo estrutural (análogo a P09, captura simbólica), replicado em dois estados com partidos e contextos diferentes — sugerindo padrão sistêmico do federalismo brasileiro, não escolha de um único ator político.