A nota técnica do INESC (Instituto de Estudos Socioeconômicos), publicada de forma totalmente independente deste corpus, cita nominalmente o caso Serra Verde, em Goiás — já documentado no capítulo Goiás da série — como o exemplo nacional de referência para explicar por que os contratos de streaming minerário previstos neste PL ameaçam a soberania mineral brasileira. Isso confirma, por fonte externa e especializada, que o padrão que a série "Dragão e Onça" vem documentando não é uma interpretação isolada deste corpus — é um fenômeno já reconhecido por pesquisadores de política mineral nacional.
"Vale lembrar aqui o caso do projeto minerário Serra Verde, em Goiás. O recente rearranjo do controle acionário — em favor de empresas americanas e com participação do governo dos EUA — trouxe consigo mecanismos de controle de acesso a 100% do minério extraído. Contratos de streaming podem facilitar e amplificar arranjos que têm como propósito adicional [...] garantir fornecimento de minerais a baixos preços para empresas fora do país."
Este é o mesmo caso documentado no capítulo Goiás da série: a aquisição da Serra Verde (mina Pela Ema) pela USA Rare Earth por US$2,8bi, com contrato de fornecimento de 15 anos a uma SPV capitalizada por entidades do governo dos EUA. O INESC — instituto de pesquisa socioeconômica sem qualquer relação com este corpus — usa exatamente o mesmo caso para ilustrar, em nível nacional, por que os contratos de streaming previstos no PL 2.780/2024 representam risco à soberania mineral brasileira.
Implicação direta para a série: se o mecanismo de streaming já operou (ou operará) no caso Goiás, é razoável monitorar se mecanismos equivalentes surgirão nos capítulos Pará (Vale/CCCC), Amazonas (Taboca/China Nonferrous) e Minas Gerais (Sigma Lithium/LG) à medida que esses projetos amadurecem financeiramente e buscam capital de giro — o PL 2.780/2024, uma vez sancionado, fornecerá o arcabouço legal nacional para isso em qualquer um dos quatro estados.