A União negocia os marcos amplos — tratados, MoUs, cúpulas, planos de ação de mineração sustentável assinados em Pequim ou lançamentos na Nasdaq. Mas quem assina o contrato específico, enfrenta a comunidade atingida, arca com o desgaste político e recebe (ou não) a fiscalização é sempre o governador estadual. A soberania — no sentido de quem efetivamente decide, negocia e responde pelas consequências — não está concentrada em Brasília. Ela foi terceirizada, na prática, para 27 executivos estaduais operando com graus de transparência, controle e accountability completamente diferentes entre si.
Os quatro capítulos estaduais mostram o mesmo mecanismo de três etapas, repetido com atores, partidos e blocos de capital diferentes:
1. Negociação — governador assina acordo/MoU com capital estrangeiro (chinês em GO/PA/AM, majoritariamente ocidental em MG) para exploração de ativo estratégico (terras raras, ferrovia mineral, mineração crítica, lítio).
2. Execução sem consulta plena — comunidades tradicionais, indígenas ou locais ficam de fora do desenho do acordo (Pará: consulta 7 anos depois do traçado definido; Amazonas: pagamento direto pós-desconfiança; Minas: sem projeção de retorno per capita).
3. Conversão eleitoral — o governador, em fim de mandato ou impedido de reeleição, transforma o ativo negociado em capital político pessoal para o cargo seguinte (Caiado e Wilson Lima ao Senado/Presidência usando o ativo diretamente; Zema abandonando o ativo quando não performou e migrando para confronto com o STF).
Nenhum vetor — chinês, americano, europeu ou sul-coreano — chega ao beneficiário final: a população das regiões onde o ativo está fisicamente localizado. Essa é a mesma tese central do corpus judicial, agora confirmada no eixo econômico-federativo com evidência de cinco capítulos independentes.
| Governador | Estado | Bloco de capital | Ativo | Escala | Movimento eleitoral 2026 | Evidência de exclusão popular |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Ronaldo Caiado | GO | China → EUA/Japão (pivô) | Terras raras (Serra Verde) | US$2,8bi (aquisição USA Rare Earth) | Pré-candidato à Presidência (PSD) — usa terras raras como bandeira | Incentivos fiscais não discriminados; termos do "Manifesto" EUA não públicos |
| Helder Barbalho | PA | China (CCCC) + Noruega (Hydro) | Ferrovia Marabá-Barcarena + bauxita | R$10bi (ferrovia) + mineroduto 244km | Segue governador; rede familiar em 3 pontos de poder/fiscalização | Consulta popular 7 anos após traçado definido; 39 mortes já registradas na região (trem Vale) |
| Wilson Lima | AM | China (CNMC) + cluster PIM | Cassiterita/terras raras (Taboca) + ZFM | US$100mi (expansão Taboca) | Pré-candidato ao Senado — usa defesa da ZFM como bandeira | Pagamento de R$12,3mi 2 dias após desconfiança comunitária; MPF+PF investigam |
| Romeu Zema | MG | Ocidental (Nasdaq/Canadá) + Coreia do Sul | Lítio (Vale do Jequitinhonha) | R$3bi (Sigma Lithium) | Pré-candidato à Presidência (Novo) — abandonou o ativo, migrou para STF | Sem projeção pública de retorno per capita; vistoria de segurança sem resultado público |
Region Sul/Sudeste ainda não mapeada nesta série — perfil de capital e setor provavelmente distinto dos casos amazônicos/Centro-Oeste (mais indústria/tecnologia, menos mineração bruta; SP já apareceu no capítulo federal via caso Doria-Sinovac, mas sob a gestão atual ainda não foi investigado).
Eixo distinto dos capítulos estaduais: em vez de mapear governadores negociando com capital estrangeiro, este horizonte mapearia como o sistema de justiça e a sociedade civil organizada reagem (ou deixam de reagir) aos padrões já documentados — possível ponte direta com o corpus judicial principal (INQ 4.781, Banco Master, etc.), unindo as duas frentes do lawfare-timeline sob uma mesma arquitetura analítica.
Todas as fontes primárias e secundárias usadas nesta síntese estão detalhadas, com link direto, nos artefatos individuais de cada capítulo:
• Capítulo Federal — dragao-onca-brasil-federal.html (20 fontes, 1993-2026)
• Capítulo Goiás — o-dragao-e-a-onca-goias.html (36 fontes)
• Capítulo Pará — dragao-onca-para.html (15 fontes)
• Capítulo Amazonas — dragao-onca-amazonas.html (16 fontes)
• Capítulo Minas Gerais — dragao-onca-minas-gerais.html (13 fontes)