Paraná é o capítulo mais antigo da série em termos de relação estabelecida: a China Merchants Port (CMPort) controla 90% do Terminal de Contêineres de Paranaguá desde 2018 — sete anos antes da atual onda de acordos documentada nos demais capítulos. O governador Ratinho Jr esteve pessoalmente presente em cerimônia de expansão com autoridades chinesas de alto escalão já em 2019.
O achado mais distintivo: em novembro de 2025, a Administração dos Portos do Paraná (APPA, estadual) e o Ministério de Portos e Aeroportos (federal) assinaram acordos com a CMPort — ambos na China, com apenas dois dias de diferença. É o único capítulo da série com evidência de coordenação explícita entre os níveis estadual e federal na negociação com a mesma contraparte estrangeira.
Durante a pesquisa para este capítulo, identificou-se uma segunda frente envolvendo o governador: o apresentador Ratinho (pai) é cofundador da Terras do Paraná, empresa dona do resort Tayayá Porto Rico, e há vínculos societários históricos com fundos ligados ao caso Banco Master e ao ministro Dias Toffoli (já documentados em banco-master.html e banco-master-os-donos.html).
Esta frente NÃO tem vínculo chinês e foi deliberadamente excluída deste capítulo, por rigor do protocolo anti-confirmation-bias — misturar padrões distintos (captura judicial/financeira doméstica vs. relação diplomática com potência estrangeira) enfraqueceria a análise de ambos. Foi registrada separadamente como tarefa futura para atualização dos dossiês Banco Master existentes.
Paraná documenta a variante mais antiga e mais institucionalizada da série — sete anos de relação estabelecida entre o Estado e a CMPort, com o governador presente pessoalmente desde o início. O achado mais relevante para a série como um todo é a coordenação temporal entre os acordos estadual e federal de novembro de 2025, ambos assinados na China com dois dias de diferença.
Isso contrasta com o padrão observado em São Paulo, onde a concessão federal do terminal COFCO em Santos não mostra articulação com o governo estadual, e levanta uma questão para a síntese cross-state: em quais condições estruturais os níveis estadual e federal coordenam suas negociações com a mesma potência estrangeira, e em quais eles operam em paralelismo desarticulado?