Este par de capítulos documenta a mesma disputa vista de dois lados: a montadora chinesa GWM avaliou Paraná, Rio Grande do Sul e Bahia para sua segunda fábrica brasileira, e escolheu o Espírito Santo. O governador do RS, Eduardo Leite, cortejou pessoalmente a BYD em Shenzhen um ano antes — sem resultado equivalente. O ES venceu não por diplomacia mais intensa, mas por uma vantagem logística objetiva: a proximidade portuária de Aracruz.
Complementando os dois capítulos, incorporamos ao corpus o ranking oficial do CEBC (Conselho Empresarial Brasil-China) — a única fonte com metodologia consistente e série histórica (2007-2025) para investimento chinês por estado. São Paulo lidera isoladamente com 151 projetos; RS ocupa o 6º lugar (caindo do 5º); ES aparece na 17ª posição, apesar da captura recente da GWM — um lembrete de que uma vitória pontual não altera rapidamente uma posição histórica.
| # | Estado | Projetos (2007-25) | Variação | |
|---|---|---|---|---|
| 1 | São Paulo | 151 | manteve | |
| 2 | Minas Gerais | 55 | manteve | |
| 3 | Goiás | 26 | manteve | |
| 4 | Bahia | 24 | manteve | |
| 5 | Pará | 21 | subiu (de 10º) | |
| 5 | Rio de Janeiro | 21 | caiu (de 6º) | |
| 6 | Rio Grande do Sul | 20 | caiu (de 5º) | |
| 7 | Mato Grosso do Sul | 19 | manteve | |
| 8 | Paraná | 18 | manteve | |
| 9 | Mato Grosso | 16 | manteve | |
| 10 | Santa Catarina | 12 | caiu (de 11º) | |
| 11 | Amazonas | 11 | manteve | |
| 11 | Ceará | 11 | manteve | |
| 12 | Amapá | 10 | subiu (de 17º) — maior salto | |
| 13 | Tocantins | 8 | manteve | |
| 13 | Piauí | 8 | caiu (de 12º) | |
| 14 | Pernambuco | 7 | caiu (de 13º) | |
| 15 | Paraíba | 6 | caiu (de 14º) | |
| 15 | Maranhão | 6 | caiu (de 14º) | |
| 16 | Rio Grande do Norte | 5 | caiu (de 14º) | |
| 17 | Espírito Santo | 3 | caiu (de 15º) | |
| 18 | Alagoas | 2 | caiu (de 17º) | |
| 18 | Distrito Federal | 2 | caiu (de 16º) |
Eletricidade: 43,6% do estoque 2007-2025 (US$36,5bi), à frente de petróleo (28,3%) e indústria manufatureira (8,5%).
Sudeste 49,8% · Nordeste 14,9% · Centro-Oeste 13,6% · Sul 10,8% · Norte 10,8% (2007-2025).
RS e ES formam o par de controle mais limpo da série: mesma empresa (GWM), mesma disputa, mesma janela temporal, resultados opostos. O fator decisivo, segundo a própria GWM, foi logística portuária — não o grau de esforço diplomático estadual. O RS teve cortejo mais visível (missão pessoal do governador à sede da BYD, ano antes) e ainda assim perdeu a disputa mais concreta (GWM) para um estado que historicamente recebe muito menos investimento chinês (ES é 17º no ranking nacional, RS é 6º).
Isso qualifica a tese geral da série: "soberania na conta do governador" descreve bem os casos de captura assimétrica (Bahia, Goiás, Paraná), mas não explica por si só quem ganha ou perde disputas por investimento produtivo — aí entram fatores de geografia econômica que independem da vontade política do governador.