Operação Mare Liberum — deflagração: maior operação da história da Corregedoria da RFB
PF, GAECO/MPF e Corregedoria da Receita Federal deflagram a Operação Mare Liberum contra esquema de contrabando e descaminho na alfândega do Porto do Rio de Janeiro. 45 mandados cumpridos em RJ e ES, 25 servidores afastados. R$ 86,6 bilhões em mercadorias irregulares.
🚔 Operação Mare Liberum — deflagração: maior operação da história da Corregedoria da RFB
🧭 Resumo
PF, GAECO/MPF e Corregedoria da Receita Federal deflagram a Operação Mare Liberum contra esquema de contrabando e descaminho na alfândega do Porto do Rio de Janeiro. Cumpridos 45 mandados de busca e apreensão em RJ e ES, incluindo endereços ligados ao Aeroporto do Galeão e cidades do interior fluminense (Niterói, Nilópolis, Nova Friburgo). Considerada a maior operação da história da Corregedoria da Receita Federal.
Impacto: Alto
Tipo de Escândalo: Corrupção aduaneira / Descaminho
Valor envolvido: R$ 86,6 bilhões em mercadorias · R$ 102 milhões bloqueados · R$ 500 milhões em prejuízo fiscal
🏁 Introdução
Em 28 de abril de 2026, Polícia Federal (SR/RJ), GAECO/MPF e Corregedoria da Receita Federal deflagram a Operação Mare Liberum — considerada a maior operação da história da Corregedoria da RFB. O alvo é um esquema sistemático de corrupção na alfândega do Porto do Rio de Janeiro, com ramificações no Aeroporto Internacional do Galeão. Investigações conduzidas desde fevereiro de 2022.
📊 Análise
Contexto e status
- ID timeline: 148
- Tipo de registro: deflagracao
- Status: documentado
- Verificado: sim
Atores
- Polícia Federal — SR/RJ — coordenação da deflagração
- GAECO/MPF — suporte ministerial / ação penal
- Corregedoria da Receita Federal — investigação originária (desde fev/2022)
- 17 Auditores-Fiscais — afastados
- 8 Analistas Tributários — afastados
- 9 Despachantes Aduaneiros — restrição de atividade profissional
Operações e diligências
- 45 mandados de busca e apreensão cumpridos em RJ e ES
- Endereços alvos: Porto do Rio, Aeroporto do Galeão, sede da Receita Federal no RJ
- Municípios cobertos: Rio de Janeiro, Niterói, Nilópolis, Nova Friburgo (RJ) e localidades no ES
Valores e quantitativos
- R$ 86,6 bilhões — mercadorias envolvidas nas 17.000 DIs irregulares (jul/2021–mar/2026)
- R$ 102 milhões — bloqueio preventivo de bens (decisão TRF-2)
- R$ 500 milhões — prejuízo fiscal estimado
- “Dezenas de milhões” — propinas estimadas aos 25 servidores
Base legal (referência)
- Lei 9.613/98 (lavagem de dinheiro)
- Lei 8.137/90 (crimes contra a ordem tributária)
- CP art. 317 (corrupção passiva)
- CP art. 334 (descaminho)
- CP art. 334-A (contrabando)
Padrões sistêmicos ativados
- P04 — Investigação de longa duração sem mandado declarado (ver ID 147): risco de contestação da cadeia probatória
- P05 — Cofres públicos como vetor: R$ 500 milhões em prejuízo fiscal direto; sistema aduaneiro como mecanismo de sub-tributação sistematizada
- Padrões sistêmicos
As três frentes do esquema
| Frente | Mecanismo | Atores |
|---|---|---|
| 1 | Liberação de cargas em canais vermelho/cinza | Auditores-Fiscais + Despachantes |
| 2 | Admissão temporária no setor de óleo e gás | Auditores-Fiscais + Empresas O&G |
| 3 | Vantagens de operadores portuários | Analistas Tributários + Operadores Porto |
🎯 Conclusão
A Mare Liberum é, no dia zero, a operação com o perfil de risco mais alto do corpus: 5,5 de 7 padrões sistêmicos ativos ou em risco imediato (ver ID 155). A ausência dos nomes dos importadores/empresários beneficiários finais na deflagração é o primeiro sinal de contenção — padrão documentado nas operações Satiagraha, Castelo de Areia, Lava Jato e Banco Master.