Comando Vermelho assume controle de garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé (MT) e usa ouro como moeda de troca por armas e drogas
Reportagem do Fantástico (TV Globo, 28/06/2026), baseada em investigações da Polícia Federal, revela que o Comando Vermelho (CV) passou de prestador de segur...
Comando Vermelho assume controle de garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé (MT) e usa ouro como moeda de troca por armas e drogas
Resumo
Reportagem do Fantástico (TV Globo, 28/06/2026), baseada em investigações da Polícia Federal, revela que o Comando Vermelho (CV) passou de prestador de segurança armada a administrador direto de áreas de mineração ilegal no Garimpo Cururu, na Terra Indígena Sararé (povo Nambikwara, MT, demarcada em 1985, 67 mil hectares, 1.117 pontos de garimpo). A presença da facção começou em 2023. Megaoperação coordenada pela Casa Civil desde março de 2026 resultou em 72 prisões, apreensão de 153kg de ouro e 42.000+ litros de diesel, destruição de 33 túneis, ~4 toneladas de explosivos, ~200 acampamentos, 800+ motores e 31 escavadeiras; prejuízo estimado ao garimpo ilegal superior a R$110 milhões. Segundo o delegado da PF Rodrigo Vitorino, o ouro é trocado por drogas e armas com países vizinhos. O Ibama já havia apontado presença do CV na área em outubro de 2025; o PCC também é citado como presente na mesma terra indígena desde 2019, segundo o Ibama.
Metadados do corpus
| Campo | Valor |
|---|---|
id_corpus |
1607 |
| Categoria analitica | operacao_policial |
Atores
- Comando Vermelho (organização criminosa — controle de mineração ilegal)
- Rodrigo Vitorino (delegado da Polícia Federal — operação Sararé)
- Nilton Tubino (coordenador da operação)
Instituicoes
- Polícia Federal
- Casa Civil
- Ibama
- Governo de Mato Grosso
Resultado documentado
Operação em curso desde março/2026, sem desfecho judicial documentado até a data de registro. Governo de MT anunciou construção de base policial de acesso à TI Sararé.
Analise
Caso adicional de P08 (infraestrutura ilegítima como veículo de extração) com variante geográfica relevante: ocorre em terra indígena diferente (Sararé/Nambikwara, MT) das rotas já documentadas (Yanomami/RR). A coexistência relatada de CV e PCC na mesma terra indígena, em períodos diferentes (CV desde 2023, PCC desde 2019 segundo Ibama), sugere disputa ou sucessão territorial entre as duas maiores facções do país sobre o mesmo recurso — ponto que mereceria dossiê dedicado se documentação adicional confirmar overlap ou substituição.
Lacunas investigativas
- Não há, nas fontes, quantificação do volume total de ouro já escoado pelo CV antes da operação, nem identificação de compradores finais nos ‘países vizinhos’ citados pelo delegado — paralelo direto ao padrão de rota Roraima-Venezuela já documentado em T-218, mas sem conexão nominal estabelecida entre os dois esquemas.