Moraes arquiva denúncia do Radiolão com base em estudo que usa perfil apócrifo do Twitter como referência
Dois dias após a denúncia, Moraes arquivou o caso classificando-o como "frágil" e "sem provas suficientes", com base em estudo do professor Miguel Freitas (P...
Moraes arquiva denúncia do Radiolão com base em estudo que usa perfil apócrifo do Twitter como referência
Resumo
Dois dias após a denúncia, Moraes arquivou o caso classificando-o como “frágil” e “sem provas suficientes”, com base em estudo do professor Miguel Freitas (PUC-Rio), que a decisão qualificou como análise “direta e certeira”. Parte da base de dados do estudo de Freitas usou como referência um perfil apócrifo do Twitter chamado “@desmentindobozo”. Moraes determinou ainda remessa à Procuradoria-Geral Eleitoral para apurar se a própria campanha de Bolsonaro cometera crime eleitoral ao apresentar a denúncia, e incluiu a documentação no Inquérito das Milícias Digitais (nº 4.874), sob sua própria relatoria no STF. Checagem posterior independente (projeto “A Investigação”, jornalismo open source com equipe de 12 voluntários, método de audição humana de 168h de áudio) identificou erro material verificável no estudo de Freitas: peças de propaganda do primeiro turno foram contabilizadas como ausentes no segundo turno por falha de transmissão da emissora, não da auditoria original (Audiency) — nas 7 rádios reanalisadas, a checagem independente confirmou discrepância concreta a favor do PT (227,66% vs. 238,30% da Audiency, diferença de 2,13 p.p.), na mesma direção da denúncia original.
Metadados do corpus
| Campo | Valor |
|---|---|
id_corpus |
1891 |
| Categoria analitica | tse |
| Evidencia | ev-contested |
Atores
- Alexandre de Moraes
- Miguel Freitas (PUC-Rio)
- David Ágape (coordenador, A Investigação)
Instituicoes
- TSE
- STF (INQ 4.874)
- Audiency
Ponto de inflexao
26/10/2022 — arquivamento com base em estudo metodologicamente contestável ocorre 4 dias antes do segundo turno, encerrando a possibilidade de apuração técnica antes do pleito.
Analise
A checagem independente por audição humana não confirma a tese de fraude generalizada da campanha do PL (nas 7 rádios, o PT teve mais tempo de exibição em ambos os métodos), mas confirma que o estudo usado para descartar a auditoria original continha um erro material verificável e uma referência metodologicamente frágil (perfil apócrifo). Os dois achados coexistem sem se cancelar: a denúncia de boicote nacional não se sustenta na amostra checada, e o instrumento usado para arquivá-la também não resiste a auditoria — ambos devem ser registrados, sem que um dilua o outro. Isto é o P04b em ação a partir de dois lados possíveis: tratar a checagem independente como “prova de que a denúncia era fake” e tratar o erro do estudo Freitas como irrelevante são ambos simplificações que colapsam achados distintos.
Base legal
- Lei nº 9.504/1997
Conexoes
Lacunas investigativas
- A checagem independente cobriu 7 das milhares de rádios do país (amostra não representativa em escala nacional, conforme a própria equipe reconhece); não há apuração pública sobre o volume total de inserções não veiculadas na totalidade das emissoras. A VPI da PF sobre possível impedimento do exercício da propaganda eleitoral, aberta em 30/11/2022, segue sem resultado divulgado até 08/2026.